Biografia
Em 41 anos, Lampião viveu 24 guerreando, fugindo, perseguido, matando, buscando vingança, cobrando proteção, rastejando na caatinga. Tinha um talento inato para a guerrilha, atacava e desaparecia no sertão. Somente a extrema mobilidade do seu bando, composto de 15 a 60 homens, tornou possível tão longa sobrevivência, apesar da perseguição movida contra ele pelos governos do Nordeste. Lampião entrou no cangaço aos 17 anos para vingar a morte do pia e da mãe, em Serra Talhada, Pernambuco, sua terra. Na caatinga, o cangaceiro vivia do que tomava , e era preciso saber de quem tomar, para ter amigos que fornecessem esconderijo seguro, comida, sal, munição, roupas. Em troca prestava favores, era o braço armado dos amigos. O número de cangaceiros aumentava com a seca. Lampião dizia que o cangaço era meio de vida. Recusou-se a combater a Coluna Prestes, apesar de ter recebido para isso armas, munição e título de capitão, e explicou por que ao Manoel Francelino, conforme contado por Optato Gueiros: “Ah, menino! Isso aqui é meio de vida. Se eu fosse atirar em todos os macacos que vejo,já teria desaparecido”. Foi uma lenda viva, personagem de cordel. Cantava sua vida heroica, sua esperteza e valentia, seu romance com Maria Bonita, sertaneja que largou o marido sapateiro e foi viver com ele na aspereza da caatinga; seus inimigos eram sempre os poderosos, os fazendeiros latifundiários, a serviço de quem estava a política traiçoeira, e até mesmo o diabo. Atraiçoado, morreu numa emboscada ao amanhecer, junto a Maria Bonita e alguns do bando. Suas cabeças foram cortadas e exportas em Santana do Ipanema. O povo fazia fila para vê-las.
Revista IstoÉ. São Paulo, Três.
Quem foi Maria Bonita?
Revista Claudia – Nossas Mulheres. São Paulo: Abril, abril de 2000.
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