domingo, 29 de setembro de 2013

Virgolino Fereira da Silva (Lampião)

Biografia
  Em 41 anos, Lampião viveu 24 guerreando, fugindo, perseguido, matando, buscando vingança, cobrando proteção, rastejando na caatinga. Tinha um talento inato para a guerrilha, atacava e desaparecia no sertão. Somente a extrema mobilidade do seu bando, composto de 15 a 60 homens, tornou possível tão longa sobrevivência, apesar da perseguição movida contra ele pelos governos do Nordeste. Lampião entrou no cangaço aos 17 anos para vingar a morte do pia e da mãe, em Serra Talhada, Pernambuco, sua terra. Na caatinga, o cangaceiro vivia do que tomava , e era preciso saber de quem tomar, para ter amigos que fornecessem esconderijo seguro, comida, sal, munição, roupas. Em troca prestava favores, era o braço armado dos amigos. O número de cangaceiros aumentava com a seca. Lampião dizia que o cangaço era meio de vida. Recusou-se a combater a Coluna Prestes, apesar de ter recebido para isso armas, munição e título de capitão, e explicou por que ao Manoel Francelino, conforme contado por Optato Gueiros: “Ah, menino! Isso aqui é meio de vida. Se eu fosse atirar em todos os macacos que vejo,já teria desaparecido”. Foi uma lenda viva, personagem de cordel. Cantava sua vida heroica, sua esperteza e valentia, seu romance com Maria Bonita, sertaneja que largou o marido sapateiro e foi viver com ele na aspereza da caatinga; seus inimigos eram sempre os poderosos, os fazendeiros latifundiários, a serviço de quem estava a política traiçoeira, e até mesmo o diabo. Atraiçoado, morreu numa emboscada ao amanhecer, junto a Maria Bonita e alguns do bando. Suas cabeças foram cortadas e exportas em Santana do Ipanema. O povo fazia fila para vê-las.
Revista IstoÉ. São Paulo, Três.

Quem foi Maria Bonita?

A história de Maria Bonita, a amada de Lampião, confunde-se com as aventuras de seu companheiro , tachado ora de assassino, por espalhar terro pelo sertão, ora de justiceiro, por defenderos menos favorecidos conter o poder dos coronéis,[...] Maria Bonita foi a primeira mulher a se juntar ao bando de cangaceiros – designação dada aos fora da lei que levavam uma carabina sobre os ombros lembrando  a canga, arreio colocado ao redor do pescoço do boi.
Revista Claudia – Nossas Mulheres. São Paulo: Abril, abril de 2000.

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