terça-feira, 1 de outubro de 2013

V.I.V.A. Verdi!

Na passagem dos 200 anos de seu nascimento, Giuseppe Verdi é o compositor do mês na programação da Rádio Cultura FM

João Marcos CoelhoMúsica
30/09/13 19:47 - Atualizado em 30/09/13 20:00
Verdi - compositor do mês de outubro 01
Quando o mais italiano dos compositores, Giuseppe Verdi, nasceu, em 9 ou 10 – não há certeza – de outubro de 1813 no vilarejo de Roncole, a 5 quilômetros de Busseto, a meio-caminho de entre Parma e Piacenza, a região estava sob controle político francês. Assim, em sua certidão de batismo seu nome aparece como Joseph François Fortunin Verdi. A Itália, naquele momento, designava só uma região geográfica, e não uma realidade política. Giuseppe era, portanto, cidadão francês, já que Napoleão Bonaparte anexara à França um terço do território italiano.
Cultura FM comemora os 200 anos de seu nascimento fazendo dele o compositor do mês em outubro. Diariamente, de manhã e à tarde, você ouvirá uma ária, uma abertura ou uma cena lírica assinada por Giuseppe Verdi. Além disso, outras obras dele frequentarão a programação em geral. Afinal, ele não foi só  o mais popular compositor italiano do século 19. Mais do que isso: foi o mais popular compositor lírico de sua época. As árias mais famosas de suas 26 óperas, distribuídas ao longo de quase sessenta anos, entre 1839 e 1893, não foram cantaroladas nas ruas e assobiadas apenas quando estrearam. Giuseppe Verdi conseguiu o milagre de ser intensamente popular em vida. E o tempo – outro milagre – jogou a seu favor, de tal modo que hoje suas óperas constituem o eixo fundamental das programações dos teatros de ópera em todo o mundo. “La donna è mobile” e tantas outras melodias continuam a ser assobiadas e cantaroladas com imenso prazer e facilidade em nosso dia-a-dia.
A ideologia das vanguardas imprimiu na opinião pública o falso dogma de que tamanho sucesso só tem condições de conviver com certa falta de qualidade artística. Verdi ainda vivia quando tentou-se jogá-lo, por exemplo, contra a imponência e sofisticação das óperas de Richard Wagner. Engano fatal. Como escreve Alberto Savinio, o irmão do pintor metafísico italiano Giorgio de Chirico – ele mesmo pintor e também músico, compositor e crítico --, Wagner nos fala sempre de um passado, enquanto Verdi nos puxa o tempo todo para o presente. Por isso mesmo, ele fica tão íntimo de nós como se fosse um parente próximo.
Outro pensador contemporâneo instigante, Isaiah Berlin, acrescenta que, entre os compositores geniais, Verdi bem pode ter sido “o último criador completo, que se sentiu realizado (...) um homem que se pôs inteiro em sua arte (...) uma arte objetiva, direta e em harmonia com as convenções que a governam, [arte] que surgiu de uma unidade interior intacta, do sentido de que pertencia a seu próprio tempo, a sua sociedade e a seu meio”. Afinal, como complementa John Rosselli na mais recente biografia do compositor (2004), “ele não queria alcançar algo perdido, infinito, inalcançável”, missão impossível “que marcou tantos criadores mais complexos como Berlioz ou Wagner”. Verdi foi, segundo Berlin, “a última voz do humanismo que não estava em guerra consigo mesma, ao menos não na música (...) o último mestre que pintou com cores positivas, claras, primárias, dando expressão direta às emoções humanas primordiais, eternas”. Talvez este seja o segredo de Verdi: ele nos emociona hoje com a mesma intensidade com que levou ao delírio seus contemporâneos.
Postado por: Artur,8º

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